Quintal parental: dos bolinhos e dos perrengues.

Todo mundo me pergunta se o Nico já vai para a escola. Não minha gente! Ele vai para um Quintal (uma creche parental). Que poderia ser como uma escola, mas não é. O Quintal cumpre muito bem nossas necessidades familiares de passar um tempo longe do Nico (seja por trabalho ou saúde mental) e as necessidades dele (Nícolas) de ter amigos e outros vínculos afetivos para alem dos pais e familiares.

Faz 1 ano que estamos nessa. Tem aqui no blog dois textos antigos falando sobre (aqui e aqui). E nesse novo semestre – depois de muito bater a cabeça e visitar muitas outras escolas e projetos educativos) continuamos no mesmo barco. Como ando meio empanzinada desse assunto de Quintal, resolvi reviver esse blog para desafogar meu peito. Quem quiser saber, vem comigo:

 

IMG_3109

>> PROS/ vantagens/ coisas boas/ bolinhos e festa:

–  financeiro. uma creche parental sempre vai sair mais barata que uma escola particular da mesma região e que se proponha ao mesmo, quer dizer: escolas que vão contra essa logica de cuidado terceirizada e educação massiva, escolas que valorizem a infância e que costumam custar um rim. Obviamente isso não vale como comparação com as creches publicas, obviamente.

–  participar cotidianamente da vida (alguns diriam educação) das crias. Possibilita desenvolver os debates sobre educação e criação de forma participativa, crescendo junto com seu filho nessa empreitada.

–  valorizar a primeira infância. As creches parentais e Quintais comumente são espaços de cuidado e convívio que valorizam a criança, a cultura da infância, o livre brincar. Alem de respeitar os ritmos próprios de cada criança como individuo particular.

IMG_0929

– poder meter o bedelho em tudo e deixar as coisas mais com a sua cara. Em vez de ter que entubar varias das decisões de uma escola, na creche parental cabe a você ir la e falar como acredita que as coisas devem funcionar. Claro que nem tudo e 100% do seu jeito, afinal as famílias envolvidas sempre vão pensar coisas diferentes, mas de forma geral ha sempre chances grandes de todos saírem bem satisfeitos, por ser um grupo mais homogêneo e democrático 🙂

– garantir o que é prioritário para sua família. Exemplo, se vocês acreditam que alimentação orgânica e o principal para seu filho, fica fácil bancar isso em uma creche parental, onde os pais tem maior controle do que se passa. (controle e uma péssima palavra, mas na falta de inspiração para outra vai essa mesma no texto)

IMG_1074

– formar rede. contato próximo com outras famílias, criando redes de apoio cotidiano e presencial. Essa parte não e tao bonita na pratica quando parece ser na teoria, mas em tempos de rede afetiva e de apoio tao escassas, tudo que vem deve ser comemorado.

– formar coletivo / apoiar modos de vida e existência coletivos. Creche parental e ideologia e movimento politico de estar no mundo!

– vínculos afetivos efetivos. Nada e mais importante no inicio da vida (e ouso dizer que a vida todinha) que o afeto. Como as creches parentais são pequenas, as relações funcionam em uma logica muito mais familiar.

– ser bom exemplo.  Mostrar as crianças que temos responsabilidades no mundo que vivemos, não só no cuidado das nossas próprias coisas (nossa casa, nossas roupas, nossa comida), mas com as coisas que são de todos. Lavamos a louca, arrumamos os brinquedos, varremos o chão: todos juntos pelo bem-estar de todos.

– Poder estar juntinho: e montar uma atividade com as crias. construir um brinquedo. participar de alguma brincadeira. levar um lanchinho para todas que e sucesso. tudo isso enche nossos corações de amor

IMG_1062

– Adultos de referencia: ver seu filho tendo amigos adultos que nao sao necessariamente seus amigos (e nem estao em uma relacao de hierarquia como familiares ou cuidadores).

faee363b-2118-4d4c-9c68-d2a973829f8e

– Ampliar o repertorio de vida a partir da experiencia dos outros: uma relação próxima com outras famílias, com outros hábitos, traz muitas surpresas boas: desde uma comida diferente `a uma outra forma de ver a vida.

>>CONTRAS / desvantagens / tretas / perrengues e outras dores de cabeça:

– Aporrinhação: não sei dizer se dá mais dor de cabeça que qualquer outra instituição educacional pois nunca fui mãe em outro espaço e tenho ouvido tretas horríveis em escolas tradicionais. Mas me parece que o Quintal causa mais aporrinhação uma vez que se está envolvido mais diretamente com todos os problemas que podem dar ou dão. Logo, o nível de aporrinhação é grande!

de5c4788-e30e-4abf-8358-cc971559b873
– Tem que ter disponibilidade : não só emocional (já que vai rolar muita aporrinhação), mas também de tempo.  Nada nessa vida vem sem esforço né! e um Quintal parental demanda o investimento de um tempo maior do que ir buscar na porta da escola: tem que colocar a mão na massa. Cada quintal vai ter suas particularidades de envolvimento cotidiano, alguns mais outros menos, mas que vai ter envolvimento físico e direto vai ter sim!

– Lidar com o coletivo o que, pelo menos para mim, é sempre uma questão que demanda jogo de cintura.

– Demanda organização: em uma creche parental não há uma equipe pedagógica e uma coordenação que toma as decisões. Esse processo decisório constante é tomado pelas famílias junto as educadoras: o que as crianças vão comer? como vamos estruturar a rotina e atividades? quem vai levar o lanche? quem vai fazer a faxina no fim do dia? quem vai comprar material de limpeza? quem vai concertar o interfone? etcetcetc

10a53514-ab7a-42ad-b8a4-19fd53a4f10e

– Falta de estabilidade. a creche parental para funcionar depende de cada uma das famílias envolvidas. O que significa que cada família que sai gera um transtorno: buscar novas famílias. Como não há contrato, e tudo é muito dinâmico, normalmente os projetos de quintal são semestrais e precisam se reconfigurar a cada seis meses. Isso é um pé no saco! Tanto no sentido de trabalho burocrático de procurar novas famílias, como no sentido de que acabamos não conseguindo priorizar outro processos mais bacanas no que diz respeito a cultura da infância e aprendizagem.

– Desistências: Nem todas as famílias se adaptam [e a forma como nossa sociedade é organizada, e todas as suas exigências, não facilitam muito essa adaptação] e dependendo de como a saída de uma família se dá o ônus para quem fica é muito grande. Contar com o bom-senso nem sempre é suficiente, e pode gerar muita dor de cabeça: estejam preparados!

IMG_3091

– Tretas. como em todas as relações interpessoais que se dão de pertinho as tretas são infinitas. daquelas que você chora madrugadas, fica puta, bate o telefone, xinga de nome feio. Mas tudo bem! Depois passa: você amadurece, cresce com a situação e vira um ser humano melhor 🙂

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s