#SMAM2017: amor e culpa quando se fala em amamentação.

A campanha da SMAM (Semana Mundial de Aleitamento Materno) é uma coisa bem bacana. Uma ação conjunta mundial que busca o apoio da sociedade e dos governantes para promover, proteger e apoiar a amamentação. Falando assim até parece que a gente vive em um mundo bonito em que amamentar é uma coisa normal.

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Quando você está grávida ou com um recém-nascido em casa, tudo que você ouve falar é sobre mamadeiras, bicos, melhores formas de esterilizar e marcas de fórmula. Ninguém te explica como de fato é amamentar, e fica parecendo que é magia, dom feminino já dado. Quando a criança nasce e a coisa se complica: não vai ser difícil encontrar uma justificativa de leite fraco, bico torto e pode apostar que vai ter muita gente para te estender na maior boa vontade do mundo uma mamadeira, afinal, que mal tem?! Ninguém ama menos o filho por dar mamadeira.

E não ama menos mesmo!
O amor de uma mãe não pode ser medido, dê ela o peito ou a mamadeira. Amamentar não é um ato de amor. Amamentar é uma escolha de oferecer o alimento ideal para seu filho, e que nem todo mundo pode fazer – por um milhão de motivos diferentes, mas o maior deles envolve muita grana, marketing e tal.

Celebrar a amamentação é incrível e necessário. só quem amamenta sabe a barra que é, a vitória de cada dia mais da cria no peito, crescendo forte, saudável, feliz. Só que é preciso tomar o cuidado para não cair nessa bolha de “eu amamento meu filho, eu dou para ele o melhor, olha só essas pobres/pavorosas mães que dão fórmula”. A gente precisa lembrar a todo momento que a CULPA não é da mulher-mãe. Há um sistema todo, muito bem estruturado, que faz com que a amamentação, algo que deveria ser tão natural, soe fantástico e anormal. Ou você jura que acha normal abrir o UberEats para pedir uma pizza no domingo a noite e dar de cara com uma propaganda da Nestlé tentando te convencer que uma lata de leite e uma papinha industrializada é uma forma de passar “mais tempo juntinho” com seu filho? (sim, eu dou nome aos bois). Já viu o preço de uma lata de leite industrializado? Já viu que chics e cravados de brilhantes são as aulas, jantares e palestras que os profissionais de saúde (vulgos pediatras) recebem sobre aleitamento e alimentação infantil, patrocinados adivinha por quem?

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Gente, nessa vida nada é de graça. E não era por acaso que a sua boneca veio já com uma mamadeira de plástico.

Sim, a gente precisa ir quebrando esse sistema. Amamentando por ae, para todo mundo ver. Conversando sobre o assunto. Mostrando as crianças (meninas e meninOs, pelaamordasdeusas) como se cuida das bonecas. A gente precisa estender mais a mão. Parar de julgar outras mulheres. Compartilhar experiências, dificuldades e vitórias. Oferecer informação. Para a pega do bico, para o dia que o leite desce e o peito incha, para o bico rachado, para a mastite, o leite que não parece farto, o cansaço, a anemia, a posição para amamentar deitada. Isso é sororidade.

Amamentar não custa dinheiro, é sustentável, saudável e uma forma linda de vínculo mãe-bebê. Amamentar pode ser para quem quiser.

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Para quem quiser saber mais, no site da IBFAN Brasil tem um monte de artigos super importantes e atualizados sobre questões importantes do aleitamento materno. Antes de acreditar em todos os pitaqueiros de plantão e no senso comum, vale procurar informação de qualidade, de quem sabe das coisas 😉

Para quem se sente perdida e cheia de dúvidas há no facebook grupos de mães bem legais, como o GVA (Grupo Virtual de Amamentação).

Depois que escrevi esse texto achei um post maravilhoso da Mamatraca sobre o assunto: vale muito a pena ler. Lá tem dicas práticas do que podemos fazer para acabar com essa industria de desmame.

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Observação: Essa foto linda minha amamentando a minha cria de 21 meses não é para esfregar na sua cara que você é “menas mãe” que eu. É para te lembrar que amamentação é uma coisa natural, e que a gente pode, enquanto mulher, muito mais se quiser. No que diz respeito a maternidade, toda forma de amor vale a pena, o que importa é o afeto, o colo, o carinho no olhar S2

Observação 2: Sim, a Semana Mundial do Aleitamento Materno foi semana passada e eu estou sempre atrasada com as coisas. Mas antes tarde do que nunca ; )

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