Chimamanda: um olhar sincero sobre si. Venha ver!

Não sei se você conhece Chimamanda Ngozi Adiche. Caso não, precisa conhecer. Estou faz tempo para escrever sobre ela. Quero indicar seus livros (que eu mesma li poucos; mas é que fico apegada aos personagens e não quero trocar de romance-referência mental).

Chimamanda Ngozi Adiche é uma jovem escritora nigeriana (leia-se: mulher, negra e africana). Que foi estudar no Estados Unidos e vive lá faz anos. Só que dessas pessoas que não negam origem e marcam identidades, referenciam ancestralidades. Tem um plus também: é feminista, e fala sobre o assunto de uma maneira muito bacana, com palavras simples, claras, possíveis de serem compreendidas. Palavras necessárias.

chimamanda

É justamente isso que encanta em sua obra – na minha humilde opinião. Chimamanda diz as coisas que pensa, sem rodeios. No romance Americanah (2014) ela reflete bem não só a experiência de imigrante africana nos EUA, mas toda a postura adotada pela classe média jovem contemporânea (leia-se: eu, você, e a grande maioria dos seus leitores). Convida o leitor, então, a refletir sobre as suas próprias atitudes e posturas, a ser sincero com quem é no mundo (sabe gente, o mundo não é feito pessoas más e pessoas boazinhas. Não existe esse ideal de pessoa boazinha, que ama o próximo e só come orgânicos. Existem pessoas, que sentem coisas boas e coisas ruins. Que querem amar mais que odiar, e respeitam o próximo acima de tudo). Ahh, como eu gostei desse livro, Como li devagarzinho cada uma das últimas páginas, como eu ri e chorei em todas as outras.

Essa semana comprei (em formato físico, lindinho para ter na cabeceira da cama. É só dez dinheiros, mas se você quiser já ler agora e de gratis, tem em PDF) o livrinho Para educar crianças feministas: um manifesto (2017). Coisa pequena (no sentido literal de tamanho mesmo), desses que lê numa sentada, enquanto espera o dentista. Mas tão necessário! Devia ter comprado logo uma caixa dele, para distribuir por ae: para cada grávida que conheço, cada mãe, cada pai, cada palpiteiro do filho alheio… (fica a dica para presentinho para quem espera um bebê, ou têm filhos).

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Reler esse livro me fez tão bem, que precisei vir aqui agradecer publicamente à essa mulher. E dizer que antes de todo mundo que eu conheço falar dela, dos seus livros nas estantes brasileiras, eu já a amava.

Me deparei com um videozinho no TED, chamado “O perigo de uma história única”. Coisa pequena, dez minutinhos só. Mas tão potente! Ficou aquilo, ressoando na minha cabeça. Forte. Foi até parar na minha monografia. E como monografia é essa coisa que você dedica a alma para escrever e ninguém lê (tirando duas pessoas no mundo que te amem muito), me dei ao trabalho de copiar dois parágrafos como forma de homenagem:

“Há aqui uma força, um poder que está no discurso que se cria sobre alguém, e mais do que isso, de tornar esse discurso àquilo que define este alguém. Para Chimamanda Adichie a consequência da história única é desapropriar as pessoas de dignidade, cortando-as, em linhas de descontinuidade, afirmando diferenças e distâncias.

Afirmamos os múltiplos sentidos existentes nos encontros. Múltiplas forças, múltiplas linhas, cortes e fluidos. A perspectiva que emerge em cada encontro é nova, metamorfoseia-se, construindo para cada história inúmeras versões, pontos de vistas, e é, a cima de tudo, dinâmica. Não pode jamais findar no ponto final da oração”.

Obrigada Chimamanda Adiche, por me fazer enxergar melhor. Seguimos juntas.

Observação: A foto dela nesse post é do site Livro & Café, em que você encontra o link para download do livro Sejamos todos feministas

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