Creche parental: o que é isso? – Uma introdução.

Nico vai começar a frequentar uma “creche parental”. Ou melhor, a gente enquanto família vai fazer parte de uma.

Muita gente me pergunta como é isso, então vou escrever um textinho introdutório, baseado apenas na teoria. A prática da coisa eu conto depois, quando ela se der ; )

 

 

Um bebê, uma criança: aquela coisinha tão pequena, tão sua, mamando em livre demanda (nosso caso), com seus próprios horários e rotinas… Como inseri-lá no selvagem mundo social? Como não criar os filhos na bolha familiar? Como responder as necessidades de socialização e de energia dos pequenos? Como responder as nossas necessidades, financeiras e de respiro?

É como resposta a essas questões e necessidades que surgem as escolas, creches, berçários e tal. (peloamordasdeusastudo, esse não é um texto para criticar quem colocou a cria de 3 meses no berçário, nem quem diz que não vai colocar nunca. Cada família com as suas regras). Justamente o que quero dizer: as respostas para essas questões são singulares à cada família. Logo as estratégias também devem ser diferenciadas. Há espaço para tantas outras possibilidades para além das escolaS que conhecemos (lembrando que estas são sempre plurais).

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Agora vamos as motivações do real? As creches públicas, se sabe, poucas vagas e filas enormes. As privadas é preciso deixar um rim todo mês por conta das altas mensalidades… e bom, te falar que nem sempre estão de acordo com nossos ideais, com aquilo que acreditamos necessário aos pequenos (por mais ampla que pareça a variedade de linhas de educação – infantil, no caso – as escolas tendem a repetir determinados modelos).  

Some a isso a vontade de mães e pais participarem afetiva e efetivamente da educação das crias. De estar ali, pertinho, vivenciando o crescimento delas. Acrescente a abertura e disponibilidade para mecanismos coletivos, para se envolver comunitariamente e acreditar na mudança que se faz cotidiana. Pronto: assim nasce uma creche parental.

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O que eu chamo de creche parental é o que então? Ue, o que o nome já diz: creche organizada por pais e mães, cuidado coletivo dos filhos, cooperativa, presença e aquele papo bonito de “é preciso de uma aldeia inteira para se cuidar de uma criança”, sabe?

Há diferentes formas de creche parental (é plural como tudo nessa vida). Cada uma tem sua própria organização e singularidade. Em algumas o cuidado das crianças é exclusivo dos pais, que se revezam para cuidar dos pequenos. Em outras esse cuidado é compartilhado com educadores e pedagogos. Algumas funcionam na residência das famílias, ocupam também praças, parques, centros culturais… outras tem uma base fixa, uma sede, ou fazem parceria com algum espaço já existente. Varia de acordo com os custos, as distâncias, os deslocamentos, as necessidades.

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Financeiramente tem uma parte bacana: como os pais e mães assumem muitas das funções que em uma creche/escola são feitas por diferentes profissionais (finanças, manutenção, limpeza, alimentação, cuidado das crias) os custos são consideravelmente menores que um espaço privado. Além desse ganho econômico, ganhasse em qualidade (na minha opinião): há implicação no fazer, afinal, é de fato seu filho que vai usar aquele espaço.

Na listinha de prós, podemos acrescentar também a “diminuição da institucionalização” da infância e da vida. Entra aqui a possibilidade de uma forma mais democrática de educação (por mais que ainda bastante elitizada, em sua maioria). Aumenta-se as possibilidades, dá abertura pro inusitado, para trocas. Os contatos são mais próximos, mais familiar e mais cheio de afeto (assim espera-se), e nisso, não há dúvida que se ganha muito.

Como a escola não é obrigatória na primeira infância (por mais que estejam tentando torná-la), as creches parentais (ou como queira chamá-las) são organizações informais. Nelas o cuidado das crianças e a manutenção do espaço são compartilhados pelas famílias, e prioriza-se o ambiente familiar, um olhar atento e sutil com cada criança, deixando os processos mais gentis (como por exemplo a adaptação ao espaço, o desfralde, a separação da mãe, a inserção no grupo…) 

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Se isso aqui é fórmula? Receita de bolo? Selo de qualidade? Claro que não. Isso aqui é aposta. Aposta do que faz sentido, hoje, para a MINHA vida. É também compartilhar informação: para você que não tem filhos saber que existe no mundo muito mais que o berçário da esquina; e para você que tem saber que o mundo pode ir além – se você quiser.

 

Observação: as fotos são as placas que os moradores aqui da rua pintaram para colocar no parquinho. Pode não parecer, mas uma coisa tem tudo a ver com a outra 😉

 

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