É preciso se responsabilizar pelas nossas escolhas: isso é empoderamento.

Faz mais de um ano que eu coloquei o DIU de cobre. Faz quase um ano que eu voltei a menstruar depois que o Nico nasceu.

Eu já tomei anticoncepcional. Nunca me adaptei. Demorei para encontrar um que não me deixasse sangrando o mês todo, e quando encontrei me apareceu um cisto no peito esquerdo e tive que parar de tomar por um tempo (para não correr o risco de estar causando aquilo ou aumentando, até ter certeza que era benigno). Resolvi que não queria mais, que aquilo me fazia mal, que não era legal ficar ingerindo um monte de hormônios.

Confesso que descobri que estava grávida justamente por ter procurado um ginecologista para voltar às pílulas. Estava receosa de viver à base de camisinha. Fiz um exame de rotina e não deu outra.

A camisinha (preservativo masculino, ou feminino) é sim um método de prevenção super legal. Não é intrusivo, não modifica o corpo da mulher, é responsabilidade tanto do homem quanto da mulher, e é eficiente. Mas demanda disciplina. Ou seja, não dá pra esquecer, não dá para abrir mão, não dá pra se jogar no calor do momento sem esperar um segundinho. Não rola esse papo de “vou gozar fora”, “ah, mas só a cabecinha, vai”, “hoje não tem problema, não tô no meu período fértil”, “tudo bem, tá no finalzinho da menstruação” (até porque poucas mulheres conhecem de fato seus ciclos menstruais, muitos estão abalados pelos hormônios ingeridos e todo mundo sabe que podem haver espermatozoides antes do esperma ser liberado, né).

Ou seja, vida que segue, uma criança já me suga a alma, não tava a fim de engatar outra. Escolhi o DIU de cobre, sem hormônio, mas ainda assim, cheio de contras. E sim, eu estava consciente disso.

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Depois de um ano de uso, posso dizer que o DIU “piorou minha vida” em muitos aspectos. Depois de mais ou menos três meses sem menstruar por conta da amamentação, eu pude perceber um aumento enorme no meu fluxo quando a bendita voltou. O ciclo ficou todo estranho, às vezes menstruo por quase 10 dias seguidos (o que me deixa bem anêmica). No restante do ciclo percebi que a produção de muco aumentou, tornando-se mais espesso. Ah, e muitas vezes dói na hora do sexo. Já fiz várias ultrassonografias, e está tudo bem com o meu DIU, meu corpo aceitou ele como tem que ser, não senti dores para colocar, não tem inflamação (estranha) e ele está bem posicionado no meu útero.

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Então, por que aconteceu tudo isso? (vale dizer que os efeitos colaterais são diferentes em cada mulher, o que aconteceu comigo, não necessariamente vai acontecer com você) O DIU (independente do tipo ou da marca escolhida) para funcionar (como expliquei nesse post aqui) provoca uma inflamação no endométrio, torna o muco natural da região mais espesso, e assim impede a passagem dos espermatozoides, dificultando a concepção. Se você pensar bem, vai ver que é meio óbvio que uma inflamação não é algo legal. O corpo humano possui mecanismos automáticos de defesa, para retornar o órgão ao seu estado ideal, combatendo a inflamação. Ou seja, colocar o DIU é colocar algo dentro de você (um corpo estranho) que desestabiliza o sistema, e portanto, será combatido. Tanto é assim que muitas mulheres expelem sozinhas o DIU, e é recomendado colocar depois de ter filhos – pois o útero já passou por um processo de mudança e tem maior probabilidade de aceitar de boas esse outro corpo estranho.

O quê se conclui com isso? O DIU não é lá uma coisa muito boa para a saúde da mulher, mesmo que não hajam muitos estudos científicos sobre (achei alguns falando da mudança nas bactérias que vivem na vagina e da predisposição a infecções). Sim, o DIU, assim como a pílula, representa um marco na liberação sexual feminina. Surge com todo um discurso de possibilidade de escolha, de não estar “fadada” à uma gravidez e vida no lar. Mas será que é bem assim? Esses são métodos que sem qualquer questionamento mantêm o peso da gravidez apenas na mulher, sendo dela a responsabilidade por prevenir a gestação e a gente sabe muito bem que filho pode crescer na barriga da mulher, mas é preciso de dois para fazê-lo (e de muitos outros pra educá-lo).

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É para não usar? Não.
É para questionar. E compreender detalhadamente os prós e contras de cada método. É para conhecer o próprio corpo (esse sempre escondido da própria mulher e relegado à objeto sexual, sabe?), resgatar nossa autoridade por ele, e tomar a responsabilidade pelas nossas escolhas.

Última consulta com a ginecologista, ela me recomendou tirar o DIU já que eu estava incomodada com os sintomas. Não quis. Não vejo hoje outra forma que caiba na minha vida e me deixe tranquila quanto a não engravidar. Não cabe na minha vida hoje outro bebê. Não cabe na minha vida hoje confiar na minha disciplina e na do meu companheiro pra usar camisinha. O DIU de cobre é para MIM a melhor opção nesse momento (em paralelo à um processo de conhecimento real do meu corpo, seus ciclos e processos).

Cabe a cada uma de nós avaliar nossa realidade. Cada corpo é único.

Imagens: Bordados maravilhosos que achei no pinterest.

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