Esse texto é uma lágrima (eu não sei chorar o que há aqui dentro)

A gente chora vendo TV. filme. e com livro.

O peito enche em cada história triste.

Mas a gente não sabe o que fazer com as tristezas reais. Aquelas inomináveis.
As perdas. As mortes. Os lutos.

A gente joga debaixo do tapete. Dá um sorriso amarelo. E agradece as palavras amigas.
Não, a gente não sabe responder as palavras amigas em momentos de dor. A gente acha que amigo é pra festa, bar e conquista. Quando a gente tá na merda, sei lá, melhor ficar só. Ainda bem que inventaram o whatsapp, podemos responder só com um emoticon.

A gente não sabe receber abraço. Não sabe falar de assunto que incomoda – fundo na alma. A gente sabe é reclamar, é chorar dores cotidianas (que doem, claro). Mas aquelas, mais doídas a gente guarda no fundo, pra ninguém ver – nem a gente mesmo -, que talvez quietas nos esqueçam.

Mas não. Tristeza esquecida vira bolor. deixa um gosto de bile na boca. revira o estômago. enjoa. adoece.

Hoje minha vó faleceu.
Faz meses que ela vem se despedindo. Já esperávamos – eu digo para tornar mais fácil.
Era questão de tempo, ela está melhor agora – nenhuma dessas frases me conforta.
Não sei sentir essa dor. Não sei nomeá-la, nem expressá-la. Não cai lágrima, nem cabe abraço.
Por hora o silêncio me salva.

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