DIU: mas que coisa é essa que eu coloquei dentro de mim?

Depois que a gente tem um filho não planejado, fica meio cabreiro né? Melhor escolher por algo muito seguro, prático, que não dependa de intercorrências externas, e que (teoricamente) não modifica o corpo. Isso existe?

Nico tinha pouco mais de um mês de vida quando eu coloquei o DIU (Dispositivo intrauterino). A decisão já havia sido tomada no final da gestação: eu não queria correr o risco de engravidar de novo tão cedo e não queria nenhum tipo de hormônio circulando no meu corpo (desejava amamentar – mesmo que há pílulas que “dizem” não fazer mal algum para o bebê). Tanto que escolhi pelo DIU de cobre.

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Todo mundo já aprendeu isso nas aulas de biologia da escola, mas vamos relembrar – já que na época a gente não deu bola, nem viu utilidade naquelas informações todas: o DIU é uma coisinha de plástico bem pequena (que parece um guarda-chuvinha), inserida pelo médico dentro do útero com o objetivo de impedir a passagem dos espermatozoides, para que  estes não encontrem o óvulo.

Existem dois tipos: os de cobre e os com hormónio (chamados Mirena). Qual a diferença? – O de cobre é feito de plástico e revestido com uma camada de cobre. Não possui nenhum hormónio e age apenas física e localmente, causando uma inflamação no endométrio (tecido que reveste o útero) e tornando a cavidade uterina um lugar desagradável para o espermatozoide.

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– O Mirena contém um hormônio chamado levonorgestrel, que é liberado no útero localmente após sua inserção, com efeito contraceptivo – entre outros. Por ser uma progesterona sintética não tem contra-indicação para amamentação (apenas hormônios com base de estrogênio diminuem a produção de leite materno). Sua duração é de 5 anos, e depois precisa ser trocado.

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Quais as vantagens do DIU? Para começar que é um dos métodos mais eficazes que existem, é super cômodo, dura em torno de 5 a 10 anos – dependendo do modelo -, e na teoria a fertilidade volta intacta quando retira o mesmo. Além disso não dependem da correta administração (como os anticoncepcionais) , possuem um processo de inserção simples e rápido (pode ser realizado no próprio consultório médico) e normalmente indolor (a maioria das mulheres sente apenas um incomodo, mas há quem desmaie ou tenha sangramentos após), sem necessidade de anestesia (mas pode-se optar pela sedação).

Mas então ele é a maior maravilha do mundo? Não. Como tudo na vida tem os seus contras (e são muitos: afinal é um corpo estranho no seu corpo, né).
O DIU de cobre é bem menos intrusivo que o com hormônio, mas ainda assim altera os ciclos menstruais da mulher, podendo ter como efeito colateral um intenso fluxo menstrual, o aparecimento de anemia devido à perda de sangue e o aumento das cólicas menstruais. O DIU Mirena, por liberar hormônio tem normalmente o efeito contrário, diminuindo a intensidade do fluxo e duração da menstruação (o que muitas mulheres adoram, mas é uma coisa meio bizarra) – dizem por ae que depois de seis meses ou um ano, quase metade das mulheres que usam DIU Mirena param de menstruar. Além disso os dois modelos podem causar incomodo na hora da penetração, causar uma infecção no útero, aumentar as chances de complicações após uma infecção por transmissão sexual e de gravidez ectópica (o óvulo fertilizado se implanta fora do útero).

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Por conta disso é muito importante lembrar que quem usa DIU tem que fazer acompanhamento médico uma vez por ano para ver se está tudo certinho, se o DIU se mantém no lugar e tal. Também é recomendado fazer uma ultrassonografia um mês depois de colocar o dispositivo para verificar sua localização. Antes de optar pelo método, a/o ginecologista vai orientar a fazer alguns exames para saber se está tudo bem com você (se não está grávida, se não está com nenhuma infecção ou com alguma DST) e com sua cavidade uterina (em alguns casos não é recomendável por conta de cistos, por exemplo). Vale dizer que não precisa ter filhos para colocar o DIU (mesmo o de cobre) – isso é lenda -, o que acontece de fato é que mulheres que já tiveram filhos tem uma chance menor de expulsar o dispositivo por já ter sofrido alterações no útero.

Sai muito cara essa brincadeira? Para quem não sabe (eu por exemplo não sabia disso na época que coloquei e fiz pelo particular) o DIU de cobre pode ser colocado gratuitamente pelo SUS ou pelos planos de saúde (ou seja, financeiramente bem melhor que anticoncepcional). O DIU Mirena não possui cobertura pelo SUS, mas por lei os planos de saúde são obrigados a cobrirem. No particular os preços variam muito, principalmente por conta dos honorários médicos, e vão de  R$ 100 a R$ 1500 (os valores mais altos dizem respeito ao DIU com hormônio, e os dois modelos podem ser comprados diretamente na farmácia).

O que a gente precisa saber? Que toda escolha tem seus prós e contras. Que quase todos os métodos contraceptivos  são invasivos sim! E provocam muitas alterações no corpo da mulher. Por mais que nos valem que menstruar é chato, sujo e feio, que tudo que nos diz respeito é dor e inconveniente, a gente precisa (re) lembrar que há um sentido para as coisas serem. Precisamos encontrar o equilíbrio entre o nosso corpo e a vida moderna – e para isso tem que ter informação. Não há formulas, não há método perfeito. Há apenas a a realidade de cada uma. Qual a sua?

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Imagens: Todas aleatórias do Google e os bordados do Pinterest – que eu achei essas fotos de útero muito sem graça e esquisitas. 

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4 comentários sobre “DIU: mas que coisa é essa que eu coloquei dentro de mim?

  1. Marcela Moraes disse:

    Eu coloquei o DIU Mirena em Agosto /2016 e até agora com a menstruação, o fluxo é menor mais ainda está lá!
    Coloquei pelo plano de saúde e não tive que pagar nada nem pelo DIU e nem pela colocação.
    À princípio minha idéia era colocar o de cobre pois como tenho hipotireoidismo fui aconselhada pelo endocrinologista a parar com a ingestão de hormônios do anticoncepcional, porém como sempre tive um fluxo de menstruação muito intenso, já tive anemia inclusive e fora as cólicas intensas a minha ginecologista falou que o Mirena seria melhor para mim.
    Ótimo post ju, muito explicativo!!!

    Curtido por 1 pessoa

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