Como trocar uma fralda com respeito, sem perder a cabeça.

Nunca gostei de forçar meu filho a nada (pode tirar o seu papinho que ele vai ficar mimado etc e tal daqui, eu não disse que eu deixo ele fazer tudo que ele quer, disse que não gosto de forçá-lo). Afinal, ele é uma pessoa. Tanto quanto eu. Eu não acharia bacana se alguém pegasse no meu braço com força e sem falar nada me puxasse pro lado. Quem gostaria, né?

Mas não é fácil. Mais do que educar com amor e respeito, a dificuldade maior hoje (s tratando de um bebê de 1 ano e 5 meses que não entende muito bem as coisas ainda) está em cuidar com amor e respeito. Como você coloca um casaco, escovas os dentes ou troca uma fralda cheia de cocô com amor, respeito e paciência de um bebê que não está nem um pouco a fim de fazer isso?

A teoria parece simples, e é bem importante, além de super “seguível” nos primeiros meses de vida: preste atenção ao bebê. sempre. Mesmo nas tarefas mais rotineiras e automáticas. Se você for pensar, são essas tarefas que ocupam a maior parte do tempo que passamos com um recém-nascido: vestir as roupas, trocar fraldas, limpá-lo, dando banho, movendo-o de um lado para o outro, tocando-o. Prestar atenção não tem o intuito de segurança, para que nenhum mal aconteça, ele caia do trocador, da cama, ou algo assim. Prestar atenção é olhar a criança nos olhos. É ver nela a expectativa do movimento, do toque. É conversar com ela enquanto realiza a tarefa, explicando o que está e vai acontecer, nomeando o mundo e convidando-a à participar.

Sei que pode parecer absurdo quando eu te digo para pedir permissão para tocar um bebê, para explicar, para pedir para ajudar… afinal, é só a porra de um bebê né? Mas vai por mim. É uma pessoa dentro daquele corpinho, que vai a cada dia compreendendo o mundo e esse cuidado. Um bebê de poucos meses, consegue, por exemplo, compreender a hora de trocar de roupa e relaxar o corpo, pode depois, começar a levantar os bracinhos. Pode mover as pernas para ajudar a tirar uma calça.

Mais do que um cuidado, essa forma de diálogo cria uma ponte de verdadeira relação adulto-bebê. As tarefas deixam de ser simples tarefas, e passam a fazer parte desse movimento de amor e cuidado: uma real conversa se forma.

Se isso é totalmente efetivo? Óbvio que não. Haverão sempre muitas coisas necessárias (como escovar os dentes e colocar uma fralda) que seu bebê pode simplesmente não entender que precise ser feito. Converse você com ele ou não. Converse você quantas vezes for necessário. Porquê? Pois não são coisas legais, que causam prazer e conforto. Vestir uma roupa quando está frio, faz sentido. Usar uma fralda não. (Quem gostaria de andar de fraldas 24h por dia 7 dias na semana? ninguém né). Nessas horas haverá choro, grito, e a medida que o bebê for crescendo a atividade vai ficando cada dia mais difícil de ser realizada.

Ler sobre a importância do respeito, tomar consciência dessa necessidade e me lembrar a todo momento que meu filho não é “menor” só porque é uma criança tem me ajudado a manter a paciência. Eu tento seguir alguns princípios, mesmo nos casos de muito grito:

1. Nunca pegue uma criança inesperadamente: Chame-a, e espere que o olhar dela encontre com o seu. Nunca puxe um bebê pelas costas. Sempre avise-o o que vai acontecer (se possível avise algumas vezes antes no estilo “daqui a pouco vamos trocar a fralda”).

2. Não faça movimentos bruscos: Bebês precisam de calma, principalmente quando pequetitos, para entender o que está acontecendo com eles, e ao seu redor. Dê tempo para que o bebê possa se preparar para tudo aquilo que vai acontecer

3.  Converse: Explique ao bebê tudo que vai acontecer. Explique muitas vezes. Fale no dia anterior sobre uma viagem, por exemplo. Fale horas antes, fale quando estiverem saindo. Imagina só como seria a sua vida se as pessoas te levassem para um lado e para o outro sem nem dizer para onde você vai. Eu choraria, você não? Peça para tocar no seu corpo, peça para trocar uma roupa e uma fralda, explique a importância disso (milhões de vezes) e espere o momento mais adequado (não queira que seu filho troque uma fralda quando ele está super concentrado em um brinquedo, por exemplo).

4. Escute:  Preste atenção aos sinais do bebê: sorrisos, bocejos, o levantar dos bracinhos para tirar uma roupa, o movimento das perninhas. Agradeça ao bebê por participar desse momento com você (da forma que lhe é possível).

(Esse passo-a-passo foi baseado em um texto que li tempão atrás).

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Nico com três dias de vida. Quando a única hora que ele chorava era pra vestir a fralda.

Pode demandar mais tempo, mais paciência, mas isso me faz mais feliz. E não, isso aqui não é mais uma cagação de regra para ser mãe perfeita. Não existe a perfeição. Existem ideais e princípios que a gente vai seguindo, dias mais, dias menos. O que fica sempre é o amor

p.s.: isso não é só útil para mães, pais e cuidadores de bebês. Todo mundo devia perceber que crianças e bebês também são gente. fica a dica.

 

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