“Ei, Não, Não pode, tira a mão daí, para com isso, isso não” : como criar alternativas na educação nossa de cada dia.

Se tem uma coisa que você repete muito quando vira mãe ou pai é “NÃO”. “Não pode, agora não, tira a mão daí, desce daí menino, nããããããão, eu já disse que não”. Mesmo que você leia muito sobre educação positiva e coisa e tal, vai ver como o não pula da sua boca quase que automaticamente.

A criança tá lá, dedinho quase dentro do ventilador e você faz o quê? grita aquele não sonoro. Tipo instintivo. Depois você explica o porquê da coisa, fala que faz dodói, explica e reexplica, com muita paciência e espera ansiosa o dia que ela vai desistir disso e começar a fazer outra coisa inconveniente (tipo escalar o sofá e pular lá do alto, abrir a portinha de onde fica o gás, se jogar no chão pois quer um brinquedo… )

Hoje o texto não é sobre educação positiva. Eu nem sou dessas que acha que o “não” não deve ser dito. A questão que tô colocando é outra:

Quantos “não” dizemos justamente porque aquilo nos é inconveniente? Quantos “não pode mexer ai”, na verdade não tem nenhuma explicação lógica, não trazem perigo pra criança, não provocam dodói. Eles apenas nos incomodam, deixam nosso mundo caótico, questionam a ordem das coisas.

Eu te pergunto, por que não pode sentar na mesa? Por que não pode bater com os brinquedos na parede ou no chão? Ou brincar com as panelas da cozinha? Ou tirar as roupas da gaveta e guardar em outro lugar? E jogar escada a baixo todos os bichinhos de pelúcia? Virar o prato de comida, comer com as mãos, passar comida no braço, amassagar com os dedo?

Seja sincero: não pode simplesmente porque não é assim que a gente QUER que eles façam. Não queremos bagunça, não queremos sujeira, queremos as roupas guardadas, as panelas limpas, as crianças civilizadas.

Então te proponho um exercício de honestidade: a cria tá lá pronta pra tocar o terror, antes de dizer “não” se questione sobre: qual o real motivo do não? É perigoso? Vai machucar alguém? Vai quebrar algo? Vai te encher o saco? Vai te deixar irritada? E não estou te falando pra não falar, para passar por cima das suas vontades, regras e limites – tem hora pra tudo nessa vida. Só estou falando para falarmos a real, sem hipocrisia e dizer “filho, não tira as coisas da gaveta não, pois a mamãe NÃO quer isso agora”, “filho, não sobe no sofá que a mamãe tem receio que você caia”, “não joga a comida no chão que agora que a mamãe não está a fim de limpar tudo depois”.

Há uma enorme distância entre o “não pode” e o “não quero”. Entender essa diferença muda a forma como lidamos com a vida (de uma forma geral, e não só como educamos nossos filhos). Faz entender que não existe um Ser Superior que está por ae nos punindo, nos mandando, obrigando a gente a viver a vida. A vida funciona melhor quando conhecemos nossos desejos, nossos anseios e aprendemos a equilibrá-los com o respeito aos outros. Essa é a lição mais valiosa que temos que passar aos pequenos.

Se é fácil? Óbvio que não. Mas estamos aqui nessa busca diária.

observação: Obrigada Matheus por trilhar comigo esse caminho, por me questionar, por abrir meus olhos, por me mostrar tanta coisa.

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