Tretas facebookianas e a infância sem gênero.

Hoje estava rolando uma daquelas tretas de grupo de facebook, sabe? Bate-boca, mimimi e muito dedo apontado. A temática: se rosa é cor de menina e azul cor de menino. Para o meu espanto, a pessoa que estava sendo “recriminada” não era a que não tinha mimimi quanto as cores que usa nos filhos, era justamente a pessoa que não queria usar rosa no “filhão”.

Confesso que isso me deixou contente (apesar de achar totalmente desnecessário tretas do tipo e que cada um faz o que quer da sua vida e por conseguinte da vida dos filhos #paredejulgaracoleguinha ) uma vez que eu tento adotar essa postura na vida. Pra quem não sabe, escolhemos descobrir se era menino ou menina só quando Nico nasceu.

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Nico usando sua roupinha de flamingo que mamae mesma pintou.

Ter uma atitude sem gênero com os filhos beira ao impossível. Tente comprar uma roupa pra você ver. Primeiro vão te perguntar o sexo da criança, mesmo que você tenha pedido uma “camiseta branca, por favor”. Porque se for de menina vão ter enfiado um glitter, um lacinho, uma manga com babado. Se for de menino tem que ter carros, fogo, guerra, esportes radicais. Fazer um enxoval neutro, com coisas bonitas independente de cores e estampas, é um desafio (pelo menos pra mim foi). Ter que ficar se justificando pra todo mundo que pergunta o sexo (primeira pergunta quando se vê uma grávida) é uma chatiação (pelo menos pra mim era).

Fico pensando no porquê dessas coisas para além das minhas decisões micro-políticas. Até uns 20, 30 anos atrás (tipo assim quando eu nasci) mal dava pra saber o sexo do bebê na ultrassonografia. Hoje as pessoas não aguentam esperar e fazem exames de sangue no começo da gestação.  Quando minha mãe nasceu as roupas de criança eram todas branquinhas, ninguém tinha tempo ou dinheiro para isso. Criança não tinha gênero até, sei lá, uns 7, 8 anos, ou mais.

Ae cê me pergunta “mas porquê?” porquê crianças em dado momento passaram a ter sexo? Vou te explicar que é bem simples: porque quem fazia o enxoval deixou de ser a sua tia-avô tricotando, bordando, e passou a ser às fábricas. Fábricas sabem como é, precisam crescer, criar mercado consumidor e tchámmm-raaaam: crianças são um ótimo nicho. Não, as roupas do seu primeiro filho não servem mais no segundo, que o segundo é menina. Sim, sua filha precisa de laços, trinta laços diferentes. E seu filho de 4 meses que nem senta, precisa de sapatos. No mínimo uns 15 (que deixa eu te contar, cê nem vai dar conta de usar).

Se eu tô criticando a sua decisão de usar laços, comprar roupas da moda e montar lookinho do dia na cria? Não. Eu só tô te contando que a sua vontade não é tão sua assim. Ela serve à alguém. Pense nisso #ficaadica .

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2 comentários sobre “Tretas facebookianas e a infância sem gênero.

  1. Caroline disse:

    Minhas roupas eram todas brancas pq era mais fácil de lavar. Minha mãe trabalhava fora e deixar tudo de molho era a opção mais fácil para não ter um bebê sininho em casa.
    Vamos agradecer pela saúde do bebê e agradecer por ter roupas.
    Deixa a criança usar a roupa que quiser e ser feliz.

    Curtido por 2 pessoas

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