Aprendizagens sobre o necessário.

Meu filho tem 15 meses e desde que nasceu nunca tínhamos ficado mais do que 5h longe um do outro. Para muitas mães esse tempo vai parecer absurdamente pouco. Para outras absurdamente muito. Mas foi o nosso.

Eu parei de trabalhar. Eu não coloquei ele na creche. Ele mama no peito em livre demanda e acorda várias vezes de madrugada para mamar. Passamos juntos todos os dias, quase que 24h. 7 por 7. Por mais de um ano.

Estou cansada. Sentindo falta de respirar em outras frequências. Vem a necessidade de fazer outros acordos. A ideia, a princípio, não foi minha. Era pedido antigo do Matt (o pai, aquele que na psicanálise tem o papel de corte entre mãe e bebê) e eu sempre adiei, não me sentia confortável, não achava que fosse a hora.

Até que fiquei desejosa. Quis muito. Planejei. Cheia de dedos. Nervosa. Achei que não ia dar certo. Desejei que não desse certo. Desfiz os planos. Deixei no vamos ver. Não fiz nada e esperei. Matt foi firme. Segurou minha mão e fomos em frente.

Não passamos nem 24h longe. Não viajamos. Não fomos mais de 10km de distância. Mandei mensagens a cada 1 hora pra saber como ele estava, monitorei seu sono.
E foi ótimo, sabe. Comemos sem gritos ou comida no chão, li meu livro o quanto quis, tomei longuíssimos banhos de banheira, aproveitamos a piscina, namoramos, brincamos, rimos – essas coisas que a gente faz com filho, mas em outro tom, outra frequência, sem interrupções.

A noite foi um lixo, apesar da cama maravilhosa. Eu senti saudades. Me senti culpada. Meu peito doía demais. Tava morrendo de medo de empedrar, de ter mastite.
Um lixo pra mim. Minha cunhada não ligou dizendo “vem logo, que ele não para de chorar gritando mamamamama”. Nico dormiu. Foi ninado todas as vezes que acordou e dormiu de novo. Sem desesperos. Sem choros traumatizantes.

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Preciso escutar minhas necessidades. fazer o que quero. sem culpas. Só assim poderei também escutar os outros, estar aberta `as necessidades do meu filho. inteira. Nico precisa ser cuidado por outros, sabendo que sempre terá a mamãe e o papai, também. Que não nos perde. que voltamos. que as coisas tem hora e lugar.

Na real, tudo isso é sobre mim. Não sobre o Nico.
Sobre o meu medo de perder. o meu lugar de mãe. de não me ver como insubstituível.Saber que eu sempre serei a mamãe. que não se perde, que voltamos. que as coisas tem hora e lugar.

É que saber possível outras julianas, para além da maternidade, me deixa forte. Mais forte, justamente, para ser a juliana-mãe.

Obrigada aos que tornam isso possível.

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