Desabafo.

Hoje o dia não foi particularmente fácil no reino da maternidade. Ah, mas nunca é – você dirá, e ficará pensando que eu sou uma chata cheia de mimimi que só sabe reclamar. Problema seu. Pois eu gosto de escrever pra desabafar.

O que se passou não é coincidência. Mas justo no dia que eu estou mais precisando de um colo, mais sem saco de aguentar criança chorando, de compreender frustrações, de consolar dores, é esse o dia que meu filho mais precisa. Hoje também não foi nada fácil no reino dos bebês.

Nico sempre foi muito teimoso. E quando ele era um serzinho sem muita mobilidade eu via essa característica de sua personalidade como algo maravilhoso. Enchia a boca pra contar como meu filho era persistente, e não desistia nunca do que queria, seguia sempre em frente. Nico cresceu e o que era fofo quando se tratava dos esforços para erguer a cabeça ou engatinhar foi virando algo monstruoso.

Agora funciona assim: a criatura mete na cabeça que quer pegar qualquer-coisa-que-quebra-e-custa-muito-caro em cima da estante e já vai se esticando toda. Eu, cheia de amor no coração e trabalhada no discurso da criação com apego, coloco quando dá o objeto desejado bem no alto, fora de qualquer possibilidade de alcance, e vou explicando calmamente que aquele não pode brincar, que não é dele, que quebra, que é isso e aquilo, e tento distrair com outra coisa. ILUSÃO. Nada distrai o Nicolas de um objetivo. Começa a berrar, se joga no chão em um mortal assustador, bate os pés, se livra dos meus braços e vai em busca do seu objeto de desejo novamente. Caso o objeto tenha sido mudado de lugar ele fica com raiva, muita raiva.

De acordo com a minha mãe eu estou apenas colhendo os frutos que plantei ao longo dos primeiros meses. Dei liberdade demais. Deixei um recém-nascido ganhar colo demais, ter tudo que queria, ser atendido a cada choro, se mover sem amarras, tirei do carrinho quando chorou etc etc etc e tal. Para  minha mãe eu não “condicionei” meu filho e agora ele é “assim”.

De fato. Não condicionei, não adestrei, nem vou adestrar filho nenhum. Eu não tenho um cachorro. porra. crio gente. humano. E tenho pra mim – apesar de todo o desespero que me faz sair chorando dos lugares e enfiar a cara em um pote de sorvete – que tô fazendo bem desse jeito.

Não tenho experiência, não sei como vai sair, não sei onde isso vai dar. Hoje tamo aqui, eu e um pequeno selvagem. Os dois meio chorosos. Mas amanhã estaremos fortes e sorridentes de novo. E eu? Vou continuar seguindo minha intuição – diga minha mãe o que quiser, jogue-se no chão quantas vezes for.

 

 

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