5,6. Um bicho de sete cabeças chamado Amamentação.

Era pra ser uma coisa simples. Afinal, alguém lembra que é pra isso que servem os seios, não? Não servem pra usar sutiã, ou pra ficarem lindos em um vestido decotado – objetos de desejo.

Nada contra esses usos a posteriore dados pela sociedade. O único problema é que esquecemos do que era original e muito importante. Deixamos de lado o essencial e complicamos as coisas com mamadeiras, fórmulas em pó, latas, água quente e um esterelizador.

Agora amamentar é travar uma enorme batalha. Social. Física. Pessoal

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Fico lembrando de quando eu brincava de bonecas. Fiz muito isso. Tinha uma casinha no quintal e tudo, com fogão, geladeira e caminha. Minha boneca era daquelas do tamanho de bebê de verdade e andava de carrinho, chupava mamadeira. Eu, obviamente, nunca dei o peito à minha boneca. Ela só mamava na mamadeirinha. E eu achava que era assim que mamavam todos os bebês.

Minha mãe me amamentou até o que? uns quatro meses? Cresci ouvindo que eu não gostava de leite, que não gostava desde que nasci, e que por isso tive que parar de mamar. Ninguém pensou que eu podia não gostar era de leite de vaca, e ter alguma intolerância quando minha mãe comia queijos e por isso rejeitava o leite da minha mãe. Agora começo a desconfiar dessa história de “rejeitar” o leite, me soa quase absurda. Como as pessoas podem achar normal o bebê não se alimentar exatamente daquilo que é destinado à ser o seu alimento? (eu não tô falando que há casos em que não tem outro jeito além de dar fórmula, nada contra isso. Só tô estranhando que o normal seja a mamadeira. Ficou claro?).

Não tenho exemplos. Lembro pouco da minha mãe amamentando meu irmão caçula. Lembro que ela cobria o peito com uma fraldinha de neném. Eu não via nada então. Como saber como se segura um bebê para amamentar? Eu só sabia (inconscientemente) segurar mamadeiras.

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Você acha na internet números esdrúxulos. Mesmo sendo consideração da OMS a amamentação exclusiva até os seis meses de idade, no Brasil só 10% das brasileiras amamentam exclusivamente até os seis meses. O tempo médio de aleitamento exclusivo no Brasil é de 54 dias, ou seja, menos de DOIS meses.

Por algum motivo fui contra as estatísticas. Amamento meu filho. Que hoje está com nove meses, e ainda tem no leite materno sua principal fonte de energia – para o embasbacamento das senhorinhas na rua. Amamentar é lindo. Um ato de amor. Um momento especial, meu e dele. O fortalecimento de um vínculo. Mas está longe de ser fácil.

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Não foi fácil quando Nico nasceu. Era tão pequenininho que eu achava que ia quebrar se eu segurasse da forma errada. Os bicos do meu peito não eram iguais. Um deles é mais pra dentro, quase invertido. Quando Nico mamava, ainda na maternidade, eu chorava de dor (a produção de oxitocina fazia com que meu útero contraísse muito forte). Em casa, o leite desceu muito, meu peito encheu demais, eu não sabia o que fazer, Nico tão pequeno, não conseguia mamar um peito tão duro de leite e chorava.

Hoje, eu já consigo amamentar dormindo. Nico é durinho e esperto. Não tenho mais medo que ele caia da cama, se solte dos meus braços. Consigo até (coisa que antes eu tinha muita dificuldade) dar de mama no canguru.

Só que amamentar suga a alma. O bebê cresce forte, mas eu? eu perco peso a cada dia. Morro de sede. Sinto como se tivesse correndo uma maratona. As noites mal dormidas vão se acumulando. Vou ficando cansada demais. sem paciência. E o que era pra ser um momento de prazer, cuidado e carinho, vai virando um desespero.

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É nessa que surge o tal do “meu leite secou”. Eu sei que é “mito”, mas coloca a mão e tá lá meu peito pequeno, vazio, murcho murcho. Lembro que bebi pouca água, que me alimentei mal, que quase não dormi. Lembro do que me ensinaram quando Nico nasceu para aumentar a produção: massagear os seios, entrar debaixo do chuveiro, tomar um banho relaxante, água caindo nas costas.

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Podem ter fatores físicos (tanto da mãe, quanto do bebê. e seria babaquice minha dizer que não). Mas a verdade é que na maioria dos casos pra amamentar é preciso apenas de duas coisas: confiança e apoio.

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E não, não é culpa da mãe, que tanto queria mas não conseguiu amamentar. É culpa de todos nós, que não buscamos um copo d`água, que olhamos feio no restaurante, que não ajudamos a dar um momentinho de paz, que falamos “seu bico é torto, sei não hein”. É culpa da falta de exemplos que damos aos nossos filhos, da falta de exemplo que nos deram. É culpa de quem deu mamadeira de presente, só por precaução, cheia de boa vontade. Culpa das grandes marcas que produzem o leite em pó (ou tu acha que é coincidência a Nestlé patrocinar a Sociedade Brasileira de Pediatria?) – mas eu não vou nem entrar nessa questão (você pode fazer as contas sozinha depois, pensando no número de bebês que tomam leite em pó e no preço da latinha).

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Eu só tô pedindo uma coisa: vamos fazer o favor de lembrar que somos mamíferos, e mamífero mama no peito da mãe. Simples assim.
Por favor, vamos fazer com que isso seja mais fácil.

 Um link bacana pra quem quiser ler mais

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