4,3. Seguindo seus passos.

São Paulo, 20 de julho de 2016

 

Filho,
mamãe fez planos de te escrever quase todos os dias. Aprender sobre você através, também, das palavras. Te olhar, te observar. E fazer notas, para nunca mais esquecer.
Mas a vida que segue é outra coisa.

Mamãe achou que a maternidade era um pouco como ir anotando pontos. Colecionando os marcos, comemorando cada um. Cantar parabéns nos “mesversários”, anotar suas conquistas no álbum do bebê.
Mas a vida que segue é outra coisa.

Filho, preciso te contar. A vida não tem marcos assim tão bem delimitados. Os que existem, somos nós que os inventamos.
Cantamos parabéns, sim (mas não a cada mesversário), comemoramos, e criamos nossos ritos. Mas não há data exata para se escrever no caderno.
Não sei dizer o dia que você começou a engatinhar. Apenas foi indo. Um pouquinho por dia. Às vezes parava. Fazia que isso não era importante, e eu até achei que você seria desses bebês que pulam essa fase e vão logo andar. Até que, sei lá quando, estava você engatinhando maratonas pela casa. E ficando em pé. E tentando andar. Tudo junto. Meio sem data pra marcar. sem começo nem fim. as coisas vão fluindo.

Hoje fiquei pensando nisso. Você deu três passinhos segurando com apenas uma mão a minha perna. Deu milhões de passinhos apoiado nas cadeiras. Ficou em pé por bastante tempo sem se apoiar em nada, e parecia bem estável. É que as conquistas são processos. Processos contínuos de crescimento.
E parecia que agora você já estava andando. E eu talvez devesse escrever esse marco no seu caderno “Nico fica de pé sem apoio aos 8 meses e tantos dias”. Mas não. Você fica. E não fica. E cai. E levanta. E vai indo.

Agora, passa horas empurrando a cadeira pela casa. Tão esforçado que é. Não sei dizer se todos os bebês são assim, meu filho. Você é único aos meus olhos. E meus olhos só enxergam todo o esforço que você faz. concentrado. seguindo sempre em frente ao seu objetivo. É como se você tivesse algo muito, muito importante para resolver. E não mede esforços e vira a noite trabalhando naquilo, não quer dormir quando tem sono, nem sente fome. E como não seria importante? Você está crescendo. esse é seu trabalho. é isso que você faz.

Cabe a mim, observar os seus passinhos. te dar a mão. tentar impedir um pouco as quedas. torná-las menos dolorosas. enxugar suas lágrimas. te consolar frente a frustração.
Ir observando, como quem diz “vai meu pequeno, segue em frente, que você não está só”.

Nicolas, você nunca estará sozinho no seu caminho.
Isso é ter uma família (lembre-se, sempre, do que seu pai nos ensinou).

Com amor,
Mamãe.

observação:
eu estava escrevendo uma vez por semana em um caderninho que fiz para o Nico. Até que as páginas acabaram e eu não consegui terminar de fazer o segundo. Não escrevo deve ter mais de mês.

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