3,4 Cuidar do outro é aceitar a infância em cada um de nós.

Fico scrollando o celular durante as mamadas infinitas do Nico, no meio disso encontrei essa imagem em um perfil de pedagogia positiva (não sei explicar o que é, posso tentar uma outra hora).

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Eu li aquilo e até salvei no celular. Lindo e perfeito. Devo amar meu filho, aceitá-lo, respeitá-lo, expressar meu amor com palavras e atos, escutá-lo sempre com atenção, fortalecer sua autoestima, dialogar para resolver conflitos, dar bons exemplos em vez de esporos, passar tempo junto fazendo coisas bacanas, estimulá-lo, eteceterá etcetcetc. Concordo com tudo claro, sem tirar nem por.

Mas e daí? E daí que eu passei o dia pensando naquilo. Não conseguia parar de pensar por que a lista dizia sobre como devemos tratar as crianças, e não sobre como devemos tratar TODO MUNDO. Por que será que para cuidar do Nicolas eu estou disposta a escutar com atenção, a dedicar meu tempo, a não gritar, a ser compreensiva? Por que não sou assim com todos?

Para o Nico eu ajoelho no chão, olho nos olhos e explico o que está acontecendo. E levanto de madrugada, e peço por favor meu filhinho. E canto uma canção. E conto pra ele como é o mundo. E quando ele suja o sofá de beterraba, eu digo “tudo bem, meu amor”, e penso que vou mandar lavar daqui um ano quando ele entender que não é pra colocar a mão suja. Quando ele come terra, eu digo “vem cá, não é pra por na boca, vamos olhar esse mamão aqui em vez”, com toda a paciência que há em mim.

Para o resto da humanidade? Penso: “burros, chatos! Saiam da minha frente!” (okay, não sou tão babacona assim. só as vezes). Mas sério: eu parto do princípio que as pessoas sabem as coisas, que sabem o que eu penso e como quero. Que adivinham quando estou cansada ou de mal humor. Que são tão autosuficientes e bem resolvidas que não precisam de palavras de carinho ou valorização. E não ando tendo muito tempo para diálogos.

A resposta para o por que dessa atitude discrepante? Está no item 3: aceite-os como são, pois estão em processo de crescimento. 

Nico é uma criança, merece todo o cuidado do mundo. Pois está em processo de crescimento. Eu aceito isso. Dou a ele o direito de errar.

Mas ae que eu te pergunto (ou me pergunto, já que é sempre retórico), quem no mundo não está em processo de crescimento? Porque também não aceitamos as outras pessoas como são? E buscamos amá-las, respeitá-las, valorizá-las e blábláblá? Por que eu não tento apenas dar os bons exemplos em vez de brigar e gritar?

Criar uma criança não é fácil não. Vai para além de educá-lo. É preciso um processo de reeducação, própria. Ninguém educa ninguém além de si mesmo. Criar filhos é se reaprender, se reinventar, e lembrar todos os dias que devemos tratar bem TODO MUNDO. (pois criança também é gente, e gente também é criança, sacou?).

Foto_Politica

É por isso que agora eu vou colar essa lista na testa e repetir todos os dias o como eu preciso cuidar do outro. o quanto o outro merece cuidado. estamos todos crescendo. juntos.

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