9,1 A chupeta e a calma

Chupeta deve estar entre os TOP 10 assuntos mais polêmicos da pediatria infantil, desse controverso universo das grandes verdades e necessidades de ter um bebê. Na época da minha mãe dava-se e pronto. Se o bebê gostasse beleza, se não você comprava outros trinta tipos e rezava pra ele pegar algum. Que chupeta acalma, alivia, dá conta do reflexo natural e automático do bebê de sugar e sugar e sugar, o tempo inteiro.

Maaaaaaas, como nada é tão simples assim há hoje muitas controvérsias.
É que chupeta pode fazer o bebê não mamar no peito. Chupeta pode atrapalhar na fala. É repudiada pelos dentistas. Pode levar a infecções orais com maior frequência (tem toda uma lista no site da Sociedade Brasileira de Pediatria se você quiser ler mais).

E eu, muito purista, metida a natural, fui logo cortando. Meu filho precisa disso não. Morrendo de medo dele gostar mais da chupeta que do meu peito. Morrendo de medo de não conseguir amamentar.

No Chá de Bebê ganhei (quase) tudo que pedi (obrigada galeraaa). E muita coisa que também não pedi (agradeço também, mesmo quase não usando). Dentre esses últimos, ganhei um “kit de primeiros socorros” (vamos intitular assim), que continha um monte de mamadeiras, uma lata de fórmula (leite em pó de recém-nascido) e a bendita da chupeta.

Graças as deusas e deuses o leite e as mamadeiras já passei pra frente sem nunca nem ter aberto. Agora a tal da chupeta, cai em tentação.

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Fomos viajar. Nico bem pequeno. devia ter quase dois meses, nem isso. Levamos, vai que né.  Grande erro. Minha mãe achou e tascou a chupeta no menino. Ele pegou, claro. E eu também. Aquilo era um alívio pra ele dormir mais fácil, sei lá. Foi virando um vício.

Nico quase nunca chorava na época. Só ranhetava. E eu, loka mãe de primeira viagem, fui começando a ficar incapaz de ouvir meu filho abrir a boca. Tascava-lhe logo a chupeta na boca. Ele vivia cuspindo, e eu vivia enfiando a chupeta.

Quando fomos ao pediatra, perguntei o que achava. Disse que até os oito meses era okay. Que não podia era aprender a falar pepeta, que ae fudeu. Que tinha que primeiro tratar o vício dos pais, e depois da criança. Acertou em cheio, e aquilo foi ficando na minha cabeça. (eu andava usando a chupeta para calar a boca do meu filho, e não há nada mais feio que isso. Por que não escutá-lo? Ele também tem direito a voz!).

Em outra viagem (mês passado, sei lá, nem faz tanto tempo), sai na presa e esqueci a chupeta. Decidimos ficar sem, pra cortar o mal. Nicolas não sentiu falta alguma (eu sim, mas tive que lidar com ele aos berros no avião e nada para me consolar). A verdade é que agora quando Nico chora (e chora com vontade) chupeta não faz diferença alguma. Tanto nâo faz que  agente foi se esquecendo de enfiar na boca dele. Para dormir, dorme mamando. Dorme no sling. Dorme no colo. Dorme quando quer. Faz menos diferença ainda.

O resumo da ópera é que pais de primeira viagem tem dessas noias. O desespero de fazer tudo certinho. Tudo o melhor para o desenvolvimento dos filhos. No tempo certo, estipulado em manuais. Mal sabem, coitados de nós, que as crianças nunca seguem os protocolos. Fazem como querem. Desfazem o que querem. Bebês precisam é de calma. E não é chupeta que traz isso.

Ah, e a chupeta do Nicolas, que fim levou? Deve estar perdida na mochila dele, que por aqui ninguém deu falta.

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4 comentários sobre “9,1 A chupeta e a calma

  1. Lu Cruz disse:

    Nunca vi um texto tão sincero sobre o assunto. Em geral, as pessoas são extremistas do tipo: “tem que dar a chupeta sim” ou “isso é coisa do inferno, não põe na boca da criança”. Como você disse, os bebês fazem e desfazem como querem… O importante é que os pais (os únicos que devem dar palpite no assunto) tem que aprender a ouvir seus filhos e decidir o que é melhor para eles. Não é fácil, mas é a melhor escolha. Beijos!
    Blog Vintee5 | Canal Vintee5

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  2. Fernanda Trein disse:

    A minha bebê nasce em agosto e eu ganhei uma chupeta (na verdade por aqui chamamos “bico”). Meu marido que é mais xiita ficou até ofendido, hahaha! Já li que para bebês pequenos pode até ajudar a prevenir a síndrome da morte súbita do lactente. Será? Olha, eu ainda não sei como vou lidar com esse tema aqui em casa não.
    Como tu mesma colocou, a gente é de primeira viagem e fica desesperado em fazer tudo certinho!
    Teu bebê é muuuuito fofo!! <#
    Bjos
    Fernanda
    http://www.petiteaporter.com

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    • aquelaquerebola disse:

      Oi Fernanda! Parabéns pela cria 🙂 Nossa, nasce já já hein. Que emoção!
      A gente nunca sabe como vai ser. Eu recomendo não ficar lendo essas coisas sobre morte subita não. O número de casos no Brasil é bem pequeno e só serve pra gente ficar desesperada e chorando essas coisas. Sua bebê vai ficar bem, com ou sem chupeta :))) Beijos grandes e felicidades!

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