#Introdução alimentar: do leitinho da mamãe à tangerina e terra.

Nico já tem quase sete meses e eu não parei um segundo para escrever sobre o assunto. E mal parei dois para ler e estudar sobre (é que a gente nunca consegue ser a mãe que espera). Na teoria é simples: bebês devem mamar exclusivamente no peito (ou fórmula quando não é possível a amamentação) até os seis meses de idade. Depois disso  inicia-se a introdução alimentar (IA).

É introdução pois o bebê não para de mamar e passa automaticamente a comer comida (os ditos alimentos sólidos, mesmo quando falamos de papinha). O leite é o principal alimento do bebê até no mínimo um ano de idade (não sou eu quem tá dizendo, é a OMS). O que fazemos é ir apresentando os alimentos, de três a cinco vezes ao dia.

Comer não é enfiar comida goela abaixo. É importante reparar nos sinais da criança: se já senta sozinha, se já mostra interesse pelos alimentos, se tenta pegá-los, levá-los a boca, se imita o movimento de mastigação dos pais, se enfia a mão no prato alheio… e assim vamos oferecendo, dando aquilo que a criança pede.

Nico com menos de cinco meses já queria tudo que eu comia. Antes dava para esconder dele, dar uma disfarçada e eu conseguia almoçar. Aos poucos foi ficando impossível. Ele já sentava, já tinha força na mão e puxava de mim. Foi com isso que, naturalmente, fui dando (literalmente) da minha boca para a dele. Numa coisa meio “tribal”, “primitiva”, chamem como quiser. Assim Nico chupou suas primeiras frutas, quando não conseguia nem mesmo segurá-las sozinho, mas segurava a minha mão e levava até sua própria boca. E chorava quando acabava, e pedia mais.

Eu sabia da importância de esperar até os seis meses, principalmente porque é quando o sistema digestório está mais prontinho para receber outros alimentos além do leite materno. Sabia que o leite materno é o alimento perfeito para um bebezinho, que protegeria ele de todas as doenças e vírus. Eu morri de medo de Nico encher seu pequeno estômago com laranjas e não querer mamar. Tentava deixar comer a fruta só quando ele já tinha mamado muito. E me sentia julgada (e culpada) quando via os blogs e instagrans das mamães que faziam BLW (exatamente como eu tinha planejado durante a gravidez) e seguiam a risca o protocolo de uma fruta por dia, a mesma fruta três dias, etc etc etc.

O pediatra me acalmou. Cada bebê é um bebê. O jeito que eu fazia estava ótimo. Não, eu não precisava procurar uma nutricionista. Não, eu não precisava comprar um cadeirão. Não, eu não precisava fazer um curso on-line sobre BLW e comprar livros. Os engasgos? Normais, você saberá o que fazer; apenas não dê coisas duras como castanhas e amendoim (o que o bom-senso já me faria não dar). Alergias? Sempre tem chances, até quando se dá banana, mamão e qualquer coisa comum. Melhor evitar o mel até os 12 meses, por questão de botulismo, e fim das orientações.

Como diz o pai, “a nutrição é a única coisa que essa nossa sociedade evoluída ainda não conseguiu chegar em nenhum consenso”. Então, há milhões de teorias: para não dar amendoim até os dois anos por conta de alergia, para das amendoim logo pois evita alergias, para não dar clara de ovo, para dar apenas alimentos orgânicos, para começar com frutas e ir passando para legumes, para começar com papinha, para oferecer os alimentos in natura com cortes específicos, para dar suco de laranja lima, para nunca dar suco até 12 meses, etc etc etc.

Às vezes eu dou uma surtada. Fico me sentindo culpada por não ter seguido nenhuma delas. Comecei dando pra ele caqui batido em forminhas de picolé, que ele conseguia segurar, aliviava a coceira do dente (que até hoje não apareceu) e o calor. Nico come quase sempre frutas e legumes inteiros, com as próprias mãos. Mas já dei sopa, igual a que eu estava comendo, só que sem sal. Já dei pedacinho de salmão, de frango, de carne para ele chupar. Já bati a sopa no liquidificador, mas sei que o melhor é amassar com o garfo. Já tomou suco (natural, obviamente). Chupou um pedaço de pão de queijo, para o meu desespero no momento, mas é a vida. E até já tomou sorvete.

Vamos seguindo. Muito peitinho, tangerina e terra.

Deixo aqui uns links bacanas, a quem possa interessar:

Blog do Cacá. 

Post legal sobre introdução alimentar. 

Livro Gonzalez. 

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2 comentários sobre “#Introdução alimentar: do leitinho da mamãe à tangerina e terra.

  1. Caroline disse:

    Eu adoro essas fotos do Nico comendo. Acho o máximo essa liberdade que você dá ao Nico, para descobrir o que comer, como comer, comendo com a mão, do chão, do prato. Eu não vi isso nos meus primos pequenos, mas acredito que deve ser certo!!

    Curtido por 1 pessoa

    • aquelaquerebola disse:

      Acho que mais que uma questão de certo ou errado, Carol, é uma questão do que cabe na vida de cada um, e que tipo de filho você quer. Tem gente que nnao suporta bagunça, ae não dá pra fazer assim. rsrs
      Obrigada pelo carinho, Beijão!

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