1, 2, 3, Sociedade tecnológica: do ativismo de sofá ao empoderamento por redes

Educação e sociedade são duas coisas muito imbricadas. Bem mais do que o batido jargão de que é preciso se investir na escola e na educação para desenvolver o país. Educação não faz milagre social. Tanto porque a educação é reflexo social, causa e efeito, uma das instituições que formam essa sociedade.

O contexto é o seguinte: evitou-se (e evita-se) uma educação reflexiva e crítica. Tanto nas sociedades capitalistas, que temiam o comunismo, quanto nas sociedades comunistas, que temiam retornar ao capitalismo. Por medo. Qual foi a consequência? Nos diz Viviane Mosé: “é que chegamos ao século XXI com um imenso desenvolvimento tecnológico, mas, ao mesmo tempo, com uma cada vez mais alarmante imaturidade política e social”.

Vide os últimos acontecimentos do país. Vide o que vivemos hoje politicamente. Somos incapazes de conviver. Incapazes de chegar a um acordo. Todo mundo tem celular e está conectado à rede. Todo mundo ativista de sofá. Todo mundo revolucionário do facebook. (e não falo me excluindo dessa não. eu também)

ativismo de sofa

Tem muita coisa bacana nisso. A tecnologia empoderou pessoas. Deu acesso a quem antes estava perdido geografica e socialmente. Democratizou a informação. Fez (e faz) surgir uma geração de jovens mais ousados, com mais conhecimento. Surgem novos modelos de negócio, de gestão, milhões de oportunidades. Hoje a vida é outra, e ninguém poderia imaginar todas essas mudanças em tão pouco tempo. Uma vida de assistir canal no YouTube em vez de tevê? Uma vida sem Waze? Uma vida sem celular? Sem internet banda larga, wifi?  Como fazíamos à dez anos atrás?

Porém (salvem lindas excessões) usamos a tecnologia não para nos conectarmos, criarmos efetivas redes de apoio. Mas a usamos como forma de nos alienarmos de nós mesmos. De viver a imagem eterna do prazer, sem dor, sem vida, sem sofrimento (me chamem de pessimista. mas estou sendo realista em termos proporcionais).

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Claro que tudo isso depende de um contexto maior. De uma sociedade muito fluida. Falamos em pós modernidade a la Bauman, em relações descartáveis. Há extremo uso de drogas – licitas e ilícitas. Ênfase no consumo de medicação psiquiátrica, prescrita por toda sorte de especialidades médicas ou usada sem acompanhamento efetivo, que apontam e tentam esconder o sofrimento e descontentamento. A lógica do mundo não é mais lineas ou piramidal. Não há mais, necessariamente, uma oposição entre o bem e o mal, o certo e o errado. Agora vivemos em rede. Ligamos infinitas possibilidades, infinitos pontos de contato, antes ditos opostos e distantes. É preciso aprender a lidar com essa perda de valores e fluidez veloz, sem se perder, sem se afogar.

Há informação demais. Disponível e livre. Porém não sabemos como navegar diante disso. Ficamos perdidos, estaziados. Não sei vocês, mas eu ainda me pego querendo reter os conhecimentos, salvar as coisas, guardá-las para mim. Esqueço que a nuvem pode reter tudo, que as fotos são momentos que ops, passam em um piscar dos olhos (como era antes a vida, veja só o paradoxo). É preciso aprender a lidar com esse excesso, com essa fluidez e velocidade, sem se afogar.

Vivemos um momento de transição “um pé no futuro e outro na barbárie”. E temos que ir remando, devagar e sempre, para sair desse lamaçal. Pois apesar de todo esse pessimismo aparente, eu acredito.

 

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3 comentários sobre “1, 2, 3, Sociedade tecnológica: do ativismo de sofá ao empoderamento por redes

  1. Lu Cruz disse:

    Eu ando com muita dificuldade em lidar com as redes sociais. Primeiro por essa questão de ser tudo perfeito e feliz, e principalmente pela dificuldade das pessoas em ter empatia pelo próximo. Às vezes entramos em uma notícia que conta que fulano ajudo o outro, e pronto, nos comentários temos uma enxurrada de xingamentos, um mais sem sentido que o outro. De que servem nossas conexões senão para espalhar informações úteis e pensamentos positivos? Mas não, é preciso distorcer cada ferramenta que nos aparece, para que a sociedade consiga ser cada vez pior. Nunca vou entender a mente de quem pensa assim…
    Blog Vintee5 | Canal Vintee5

    Curtido por 1 pessoa

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