Para não dizer que não falei das frutas

Há poucos meses atrás comprei um vasinho de acerola na feira. Acerola enxertada, disse o moço, para explicar seu tamanho pequeno e minhas dúvidas quanto a “veracidade” do produto. De acordo com ele era igual qualquer pézinho de acerola desses que temos no interior.

Passou o tempo e meu pé só dava larvas e fungos. Às vezes apareciam flores, motivo de grande esperança, e nada mais. Comecei a duvidar da coisa. Foi, então, que há uma semana surgiram dois frutos bem pequenininhos e verdes. Pulei de alegria.
Minha primeira acerola.

Hoje ela estava lá, vermelhinha e roliça.
Hora de prová-la. Mordidas bem pequenas.
Azeda.
Nico me olhava desconfiado. Uma bolinha vermelha, eu balançava em frente ao seu rosto.
Abriu a boca, cuspiu a chupeta.
Confesso que deixei ele lamber. Que mal poderia fazer?

Ficou animado. Queria pegar, sugar, colocar tudo na boca.
Alternava sorrisos, gargalhadas e caretas.
Azedo, azedo.

Dentre todas as metas que crio para a vida, nada poderia ser mais importante que essas lembranças tão pequenas. São coisa pouca de meia dúzia de minutos.
A vida, jamais poderá ser avaliada por “produtividade” e “sucesso”.

É preciso se permitir a descoberta dos prazeres.

 

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